12 de dezembro de 2007

JESUS NASCEU NO DIA 25 DE DEZEMBRO?

Nota do Editor: Esse artigo foi adaptado do escrito de Ralph Woodrow “O Natal Reconsiderado” (pgs 23-40). As notas do editor são de Sydney Cleveland. Qual é a data do nascimento de Cristo?

PRIMEIRA POSSIBILIDADE : CRISTO NASCEU NO OUTONO DURANTE A FESTA DOS TABERNÁCULOS.
Esse ponto de vista parece ter bons argumentos dos quais citamos alguns abaixo:

Jesus foi crucificado na época da Páscoa que acontece na Primavera: “É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa” (Jo 18.39). Se imaginarmos que Seu ministério público durou exatamente três anos e meio, isso colocaria o inicio do Seu ministério no Outono daquele ano. Naquela ocasião Ele “tinha cerca de trinta anos ao começar Seu ministério” (Lc 3.23). (Com 25 anos os sacerdotes da família de Aarão iniciavam seu treinamento e aos trinta anos eles começavam a ministrar no Templo – veja Nm 4.3,47 – Nota do Tradutor). Isso indica que Seu nascimento foi no Outono (setembro-outubro). (Nota: Se o ministério de Jesus durou três anos e meio e Sua crucificação aconteceu no dia da Páscoa, então não resta dúvida de que Seu nascimento aconteceu no Outono durante a Festa dos Tabernáculos. Façamos o seguinte cálculo: A crucificação se deu na Primavera – durante a Páscoa – por volta de Abril. Jesus tinha então trinta e três anos e meio.

Nascimento: no Outono, na Festa dos Tabernáculos, mês de Outubro
Duração do Seu ministério: Três anos e meio
Crucificação: na Primavera, na Festa da Páscoa, mês de Abril
Sua idade nessa ocasião: Trinta e três anos e seis meses

Cálculo final: A partir de Abril retornemos seis meses referentes à metade do quarto ano do ministério de Jesus: março, fevereiro, janeiro, dezembro, novembro e OUTUBRO, QUE ERA O MÊS DA FESTA DOS TABERNÁCULOS, QUANDO JESUS NASCEU.

Outro ponto forte desse argumento é baseado no tempo do ministério de Zacarias no Templo. Havia vinte e quatro divisões ou turnos dos sacerdotes que ministravam (1Cron 24.7-19). Segundo Josefus, cada turno ministrava “oito dias, de sábado a sábado” (Antiguidades dos Judeus, livro 7, 14.7; compare com 2Cron 23.8).

Zacarias que pertencia à divisão sacerdotal de Abias (Lc 1.5,8) seria o oitavo a servir na seqüência. Admitindo que o primeiro turno iniciou seu serviço no primeiro mês (judaico), no inicio da Primavera, o turno de Zacarias caiu no início do mês de Junho. Nessa ocasião “aconteceu que, exercendo ele (Zacarias) diante de Deus o sacerdócio na ordem do seu turno” (Lc 1.8), um anjo revelou que ele teria um filho, a despeito da sua idade avançada. Depois do seu tempo de serviço ele retornou para sua casa e sua esposa Isabel concebeu. Acrescentando nove meses veremos que o nascimento de João Batista aconteceu no principio da Primavera. Ora, Jesus nasceu seis meses depois de João: “Passados esses dias, Isabel, sua mulher, concebeu e ocultou-se por cinco meses – No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria” (Lc 1.24, 26, 27). Tais datas colocam o nascimento de Jesus exatamente no Outono – outubro.

Se Jesus nasceu mesmo na época da Festa dos Tabernáculos, isso harmoniza perfeitamente com a declaração de João em seu Evangelho: “E o Verbo Se fez carne e habitou (tabernaculou) entre nós” (Jo 1.14). A palavra Grega para “habitou” é a mesma palavra para “tabernáculo”.

Estas são as razões básicas daqueles que sustentam uma teologia anti-Natal e aceitam que a época do nascimento de Jesus é no Outono do ano durante a Festa dos Tabernáculos.

Nota do Editor: Os leitores devem considerar cuidadosamente que os que crêem na interpretação do nascimento de Jesus no Outono são forçados a ignorar todos os registros históricos e crer que todos os líderes cristãos e historiadores da época estavam envolvidos numa conspiração para falsificar deliberadamente a data do nascimento de Jesus!

OUTRO PONTO: JESUS NASCEU NA FESTA DOS TABERNÁCULOS? E QUANDO ELE FOI CONCEBIDO?

Mas existe algo sobre essa data que comumente tem sido negligenciada, particularmente por aqueles que resistem ao Natal como sendo um feriado pagão comemorando o nascimento de Ninrode em 25 de Dezembro.

Se Jesus nasceu durante a Festa dos Tabernáculos, quando se deu Sua concepção? Contando para trás os 267 dias considerados como o período normal da gestação, a partir da Festa dos Tabernáculo, seremos levados ao dia 25 de Dezembro, ou perto dele, como sendo o período da concepção de Jesus Cristo. Sem a concepção milagrosa de Cristo não poderia haver nascimento nove meses mais tarde. Ele nasceu como os outros nascem – de uma mulher. Mas, diferente de qualquer outra pessoa na história, Ele teve uma concepção milagrosa, sendo concebido pelo Espírito Santo (Lc 1.35). A ocasião da Sua concepção, então, tem sua própria importância singular.

Nota do Editor: Aqueles que se opõem ao nascimento de Cristo no Natal precisam admitir que: (1) Ele foi concebido no dia 25 de Dezembro ou (2) então nasceu no dia 25 de Dezembro. Sendo um ou outro, a razão deles para rejeitar o Natal por ser uma festa pagã força-os a dar mais credibilidade ao paganismo do que a Cristo! Se a concepção milagrosa de Cristo ocorreu dia 25 de Dezembro ou próximo dessa data, talvez isso possa amenizar os sentimentos negativos e até mesmo ressentimentos que alguns têm demonstrado por essa data!

No hemisfério setentrional os dias ficam cada vez menores até por volta do dia 22 de Dezembro e então começam a ficar mais longos – o solstício do inverno. Observando esse fenômeno, alguns povos antigos passaram a pensar nessa época como sendo o nascimento (renascimento) do sol cada ano. Essa época, então, naturalmente seria considerada como um tempo sagrado para aqueles que adoravam os vários deuses sol.

Dezembro é também o tempo quando os judeus celebram o Hanukkah (Dedicação), a Festa das Luzes. Quando o Templo foi novamente dedicado ao culto de Deus, depois da derrota de Antíoco (168 a.C.), a lenda diz que os Macabeus encontraram apenas uma pequena jarra de azeite para o Menorah (candeeiro), suficiente para uma noite apenas. Mas milagrosamente o azeite durou oito dias e por isso foi ordenado que luzes fossem acesas durante as oito noites do Hanukkah.

Nota do Editor: Hanukkah é uma tradição humana que não tem precedente bíblico. Por isso, celebrar o Hanukkah e negligenciar a celebração do nascimento de Cristo parece totalmente absurdo. Lembre-se que o céu inteiro comemorou o nascimento de Cristo, e os anjos encorajaram os pastores a comemorar. Se comemorar o nascimento de Cristo fosse de algum modo “errado”, certamente os anjos do céu teriam permanecido em silêncio naquele dia!

Seria possível que na mesma ocasião que os judeus observavam a Festa das Luzes os pagãos celebrassem um tempo considerado sagrado aos seus deuses-sol, que Aquele que é “a luz do mundo” (Jo 8.12), “a verdadeira luz” (Jo 1.9), “o sol da justiça” (Ml 4.2), “um sol e escudo” (Sl 84.11) foi concebido dentro do ventre de Maria? Se realmente Cristo foi concebido, ou então nasceu no Dia 25 de Dezembro, isso demonstraria mais ainda como Ele excedeu em brilho, ultrapassou e predominantemente substituiu as antigas crenças pagãs precisamente no mesmo dia!

SEGUNDA POSSIBILIDADE:
CRISTO NASCEU DIA 25 DE DEZEMBRO


Hoje, naturalmente, o nascimento de Cristo é comumente comemorado no dia 25 de Dezembro. É possível que esse dia, a despeito daqueles que têm sido muito francos em sua oposição, possa ser realmente a data do nascimento de Cristo? Esse ponto de vista também não fica sem argumentos.

Testemunho de John Crisóstomo – 347-407 d.C.
Ele foi um notável defensor da data de 25 de Dezembro e era um homem humilde e generoso, talvez mais conhecido por seus escritos sobre a Bíblia e a fé cristã. Ele afirmava que a data de 25 de Dezembro tinha fundamento nos registros reais do recenseamento da Santa Família quando se registraram em Belém. Não temos como provar se esses registros ainda existiam ou se eram autênticos, mas Crisóstomo não foi o único a se referir a eles.

Justino Mártir - 100-165 d.C.
Em sua notável Apologia – uma explanação detalhada da fé cristã dirigida ao Imperador Marco Aurélio – afirmou que Jesus nasceu em Belém “como você pode se certificar pelos registros do censo” (Apologia I, 34).

Tertuliano - 160-250 d.C.
Ele falou do “censo de Augusto – aquela mui fiel testemunha do nascimento do Senhor, guardada nos arquivos de Roma” (Contra Marcion, Livro 4. 7).

Cirilo de Jerusalém - 348-386 d.C.
Quando pediu a Julius para determinar a verdadeira data do nascimento de Cristo “pelo documento do recenseamento trazido por Tito a Roma”, Julius determinou o dia 25 de Dezembro.

Testemunho de Cronólogos Judaicos
Nota do Editor: Essa evidência é uma citação do livro “A Vida e os Tempos de Jesus o Messias”: “Um curioso fragmento de evidência chega a nós de uma fonte judaica. Na adição ao Megillath Taanith (ed. Warsh. P. 20 a), o dia 9 de Tebbeth é assinalado como um dia de jejum, e é acrescentado que a razão disso não é declarada. Ora, os cronólogos judaicos fixaram este dia como sendo o dia do nascimento de Cristo, e é digno de nota que, entre os anos 500 e 816 d.C. o dia 25 de Dezembro caiu nada menos que doze vezes no dia 9 de Tebbeth. Se o dia 9 de Tebbeth, ou 25 de Dezembro foi considerado como sendo o nascimento de Cristo, podemos compreender porque ele foi oculto, isto é, o fato dos judeus o chamarem de ‘dia de jejum' e não mencionando o nascimento de Jesus”.

PASTORES NO CAMPO DURANTE O INVERNO?

Afirma-se freqüentemente que os pastores naquela parte do mundo não vivem nos campos durante o meio do inverno, e que por volta de 15 de outubro eles levavam seus rebanhos para casa – anulando assim Dezembro como a época do nascimento de Cristo. Mas isso está longe de ser conclusivo e podem ter acontecido exceções. Que alguns pastores enfrentavam o tempo frio pode ser visto na queixa de Jacó a Labão, quando ele disse que sofreu com as geadas da noite (Gn 31.40).

Alfred Edersheim
Em seu livro “A Vida e os Tempos de Jesus o Messias”, altamente erudito e valorizado, Alfred Edersheim fala sobre o dia 25 de Dezembro: “Não existe razão adequada para questionar a precisão histórica da data de 25 de Dezembro. As objeções geralmente descansam em bases que historicamente me parecem insustentáveis”.

Embora vários escritores tenham citado Lighfoot com respeito aos rebanhos não ficarem ao relento durante os meses do inverno, isso não era verdade sobre todos os rebanhos. Ele cita antigas fontes judaicas para mostrar que alguns rebanhos “permaneciam ao ar livre nos dias muito quentes e na estação das chuvas – isto é, durante todo o ano” (Livro 2, pg 186).

Quando Lucas mencionou os pastores no campo, ele procurou especificar que época do ano era ou não era? Ou poderiam estas palavras sugerir algo diferente: que estes pastores eram muito pobres e viviam no campo com seus rebanhos? Eles podiam não ter abrigo para seus rebanhos ou casas para eles mesmos – a despeito de qual época fosse.

Nota do editor: Durante muitos programas de televisão de Belém na noite de Natal em 1997, 1996, 1995, 1994 etc, eu observei muitos peregrinos na praça e nas ruas usando camisas de manga curta, indicando que o tempo estava aproximadamente em 22 graus centígrados. Cair neve no Natal ou em qualquer outra data em Belém é um acontecimento muitíssimo raro. Ouvi dizer que a neve cai levemente em Belém aproximadamente quatro vezes em cada século. A Bíblia não nos diz a data do nascimento de Cristo. Felizmente não é meu dever, nem tampouco desejo discutir com ninguém sobre algo que a Bíblia não revela. Não posso provar ou rejeitar a data de 25 de Dezembro, mas não vejo razão para sermos incomodados com os detalhes.

Nota do Editor: Os Judeus, os cristãos e todos os documentos históricos concordam que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro. A única razão para rejeitar o fato é sua suposta ligação com o paganismo. Mas quando consideramos que cada dia do ano pode estar ligado de uma forma ou de outra com o paganismo, precisamos fazer alguns perguntas:
O fato de rituais pagãos serem comemorados cada dia da semana levam uma pessoa a desconsiderar os fatos históricos do nascimento de Cristo? Devemos ignorar a Deus no Sábado porque o nome “Dia de Saturno” homenageia o deus pagão Saturno? Devemos pensar apenas em coisas seculares no Domingo porque o nome “Dia do Sol” homenageia o deus pagão sol? É impossível para Deus realizar quaisquer atos sagrados no Sábado ou no Domingo porque estes dias numa época tinham rituais pagãos associados com eles? Exigiríamos que Deus evitasse que Jesus nascesse, visto que em qualquer dia que Ele nascesse alguém encontraria uma razão para ligá-lo com o paganismo? Eu penso que não.

Certamente a fascinação que alguns têm com o paganismo certamente desacredita Cristo e dá extrema credibilidade aos pagãos. Falando de modo geral, os cristãos modernos nunca teriam ouvido falar dos deuses pagãos antigos se não fosse através dessas poucas pessoas que lutam contra o Natal. Mas, rejeitando o Natal eles dão maior gloria dos deuses pagãos do que ao Salvador da humanidade – e no processo eles ignoram inteiramente o nascimento do Salvador.

Autor: Ralph Woodrow
Traduzido por: Delcio Meireles

Amados irmãos em Cristo, achei por bem traduzir esse artigo visando ajudar muitos irmãos que, numa atitude sincera, combatem a data do Natal no dia 25 de Dezembro como sendo simplesmente um produto do paganismo sem Deus. Geralmente ouvimos ou lemos alguém comentando negativamente sobre determinada questão e, sem qualquer exame minucioso e muitas vezes de forma irresponsável, repassamos o que ouvimos ou lemos e ajudamos a espalhar algo que não tem base bíblica. Creio que isso tem acontecido com os que se opõem à data do Natal em 25 de Dezembro. Pelas datas bíblicas apresentadas, não há como negar que Jesus nasceu durante a Festa dos Tabernáculos, ocasião apropriada para a chegada Daquele que veio “fazer Seu Tabernáculo” conosco durante trinta e três anos e meio. Mas, mesmo assim, conforme mostrado no presente estudo, a data de 25 de Dezembro ainda permaneceria, pois para nascer alguém precisa primeiro ser gerado. A contagem regressiva dos dias da gestação de Maria nos leva exatamente para a data de 25 de Dezembro. Então, você, amado irmão, rejeita o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro? Forçosamente você terá que aceitar que a concepção Dele aconteceu no dia 25 de Dezembro. “Ah, mas essa data é uma festa pagã quando se adora o deus-sol”! Respondo: Que argumento tremendo! Mas, permita-me perguntar: A Quem realmente pertence esse título? Aos pagãos que deturparam quase todas as figuras e símbolos bíblicos, como aconteceu com os próprios Signos do Zodíaco (Jó 38.32)? A Escritura Sagrada não declara que “o Sol da Justiça nascerá trazendo salvação nas suas asas” (Ml 4.2)? E Quem é Esse Sol? Sem qualquer sombra de dúvida é o SENHOR JESUS CRISTO, O NOSSO ADORÁVEL SALVADOR!

6 de agosto de 2007

Igreja

Por: Luiz Fontes / Publicação: 16/07/2007

“...é CRISTO em você, CRISTO em mim, CRISTO nela..."

O que é a Igreja do Senhor Jesus

Essa é uma das questões que não deveria, mais infelizmente se tornou um ponto intrigante dentro do contexto evangélico moderno. Quando estudamos a epístola aos Efésios descobrimos que nessa epístola está a mais elevada visão da Igreja do SENHOR JESUS em toda a Bíblia. Considerar isso é de suprema importância, pois seremos corrigidos de muitas distorções erradas quanto a Igreja. Dentro do contexto histórico da nossa realidade cristã temos visto que a Igreja perdera sua identidade mística. A Igreja do SENHOR JESUS tem sido mais vista por sua organização do que como organismo vivo constituído de pessoas que são metaforicamente exibidas na Bíblia como sendo as pedras vivas da edificação de DEUS. Quando estudamos essa epístola somos conduzidos pela sabedoria de DEUS por meio da Sua Palavra a compreender o caráter prático quanto à vida da Igreja, como ela existe, como foi gerada, como deve ser seu andar e testemunho.
Quando você estuda Efésios, nessa maravilhosa epístola Paulo diz que a Igreja é o Corpo de CRISTO – (Ef 1.23). A grande ênfase de Paulo em Efésios é apresentar a Igreja como Corpo de CRISTO - “a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas”. Na Bíblia na Linguagem de Hoje esse texto está assim: “A Igreja é o corpo de CRISTO; ela completa CRISTO, o qual completa todas as coisas em todos os lugares”. Agora, quando estudamos Apocalipse, não vemos em nenhum versículo dizendo que a Igreja é o Corpo de CRISTO; mas em Apocalipse, a Igreja é apresentada como a Noiva de CRISTO. Vamos ler os textos em Apocalipse onde temos a ocorrência dos versículos que diz que a Igreja é a Noiva de CRISTO:
- Ap 21.2: “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de DEUS, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”;
- Ap 21.9: “Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro”;
- Ap 22.17: “O ESPÍRITO e a Noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida
”.
Vamos entender isso fazendo o seguinte paradoxo:

1. Quanto à sua vida, a Igreja é o corpo de CRISTO;
2. Mas considerando o seu futuro, ela é a noiva de CRISTO;
3. Quanto a união de CRISTO com a sua Igreja, a Igreja é o seu corpo;
4. Considerando o relacionamento íntimo de CRISTO com a Igreja, a Igreja é Sua noiva.
O irmão Watchaman Nee em seu livro a Igreja Gloriosa, faz um belo paradoxo quanto a essas duas posições, que segundo ele, esses aspectos diferentes têm a ver com a diferença de tempo:

- Hoje a Igreja é o corpo de CRISTO, mas no futuro a Igreja será a noiva de CRISTO;
- A Igreja é o corpo de CRISTO com o propósito de manifestar a vida de CRISTO;
Um dia, quando a Igreja amadurecer em vida, DEUS trará a Igreja para CRISTO, e naquele dia, ela se tornará a noiva de CRISTO. Quanto ao sentido prático, como podemos definir a Igreja? Uma só pessoa não é a Igreja, mas também, precisamos entender que mil pessoas podem ser mil indivíduos e não Igreja. A Igreja é um corpo por onde o ESPÍRITO SANTO pode expressar seus desejos e toda a vontade do Pai Celeste para a glória do SENHOR JESUS. Note que o SENHOR JESUS diz no versículo 18 de Mateus 16: “Também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra, edificarei a minha Igreja”. Esse termo “edificarei” é muito significativo, portanto, vamos atentar para ele: A primeira coisa que aprendemos aqui é que é CRISTO quem edifica a Igreja.
Aqui temos a revelação de quatro princípios:
1º - A palavra que tem que ser pregada na Igreja é CRISTO, crucificado;
2º - A Igreja não é edificada por nada que não seja CRISTO;
3º - Nada que não revele CRISTO, nada que não traga visão maior da pessoa e obra de CRISTO, jamais pode prevalecer no meio da Igreja do SENHOR JESUS CRISTO;
4º - O ministério existe na Igreja para mostrar CRISTO, para levar as pessoas a CRISTO;
5º - CRISTO é material com o qual a Igreja é edificada. Ele mesmo, a sua pessoa formada em nós, pelo seu ESPÍRITO, pela sua palavra, pelo trabalho da cruz;
O irmão Stephen Kaung definiu a Igreja assim: “A Igreja é CRISTO em você, CRISTO em mim, CRISTO nela, menos você, ele, ela e eu”. Portanto, sintetizando, a Igreja é CRISTO.
O SENHOR JESUS no versículo 18 de Mateus 16: “Eu edificarei a minha Igreja”. Ele está falando de algo particular, pessoal, uma propriedade exclusiva. A Igreja é propriedade do SENHOR JESUS. Creio que para entendermos isso, temos que estudar a conversão de Paulo em Atos 9, para que tenhamos uma ilustração bíblica sobre esse assunto. Porque foi essa verdade que Paulo aprendeu quando ele caiu na estrada de Damasco e ficou cego. Veja que em Atos 1.4, Lucas usou um termo muito forte na língua grega para falar da queda de Saulo de Tarso; ele diz: “e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?”
Quero que você note a palavra “caindo”. No grego essa palavra é pipto, e significa: “cair dominado pelo terror ou espanto”, “desmembramento de um cadáver pela decomposição”, “chegar ao fim”, “desaparecer”, “ser destituído de poder pela morte”. Quando ele ouve aquela voz, ele pergunta: “Quem és SENHOR? E disse o SENHOR: Eu sou SENHOR, a quem tu persegues” – (v.5). Saulo tinha tanta convicção a respeito de quem falava que ele faz a pergunta usando uma expressão impressionante. Ele usa a palavra IAVÉ (JEOVÁ), que é o nome de DEUS no Velho Testamento. O DEUS da aliança.
E JEOVÁ responde assim: “Eu sou JESUS” – (v.5). Quem é JESUS? É IAVÉ. É o DEUS encarnado. Essa é a primeira parte da resposta. E aquela voz continua assim: “... a quem tu persegues...”. Essa verdade governou toda a visão e o ministério de Paulo. Em Atos 26.19, Paulo disse: “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial”. Veja que Paulo teve duas visões ao mesmo tempo:
A primeira visão - Quem é JESUS? JESUS é JEOVÁ;
Os fariseus não podiam admitir isso. Quando o SENHOR JESUS disse lá em João 10 que Ele era o Filho de DEUS, eles falaram que ele tinha demônio (Jo 10.20) Paulo era um desses fariseus, que não podia admitir isso. IAVÉ encarnado? Isso era absurdo para Paulo admitir; Então ele ouve a voz dizendo: “Eu sou JESUS”. Essa é a primeira visão de Paulo;
A segunda visão - “a quem tu persegues”.
Paulo não estava perseguindo JESUS. Paulo estava perseguindo a Igreja de JESUS.Então, qual foi a outra verdade que ele entendeu por essa voz? Para compreendermos isso vamos entendê-las por quatro proposições:Primeira proposição - Que CRISTO está no seu Corpo.Segunda proposição - Que o Corpo de CRISTO é um com CRISTO.Terceira proposição - Quem toca no Corpo de CRISTO, toca em CRISTO.Quarta proposição – CRISTO e a Igreja são Um!!
Paulo viu as duas coisas ao mesmo tempo. JESUS é DEUS, e o corpo de CRISTO é o próprio CRISTO. É por isso que em 1 Coríntios capitulo 12 e o versículo 12, ele usa uma frase muito interessante. Ele fala assim: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a CRISTO”. Aqui ele usa uma frase tremenda. Ele diz assim: “assim também com respeito a CRISTO”. É um versículo tremendo.
A palavra grega para Igreja na língua grega é eclésia. Essa palavra vem de dois vocábulos, o primeiro é Ec, que significa “por para fora”, “cortar fora”, e clésia, uma derivação do verbo Kaleo, que significa “chamar”, de onde vem à expressão Para Kaleo, Paracleto, que se refere ao ESPÍRITO SANTO, aquele que chama para o lado. Então essa palavra Eclésia, indica que nós somos um povo amputado, um povo que foi cortado do mundo. O SENHOR JESUS disse: “eu sou a videira e vocês são os meus ramos”. O SENHOR usou essa figura para mostrar a identificação Dele com a Igreja. Vocês são os ramos, eu sou a videira, e vocês estão em mim. Ele não falou: eu sou o tronco e vocês são o ramo. Ele falou que era a árvore. Eu sou a videira. Videira é a árvore toda, e nós, onde ficamos nisso? Nós somos os ramos.
Ou seja, nós somos a videira também. Vamos ver Números 23.9: “Pois do cimo das penhas vejo Israel e dos outeiros o contemplo: eis que é povo que habita só e não será reputado entre as nações”. Em Números você vê que Balaão sobe ali a primeira vez no monte, contratado por dinheiro, um profeta mercenário, para amaldiçoar o povo de DEUS. A Bíblia diz que Balaão sobe no monte e vai amaldiçoar o povo de DEUS. Quando ele vai amaldiçoar, o ESPÍRITO de DEUS desce sobre ele, e nas três vezes que ele tenta, ele não consegue. Primeiro, ele acha que o lugar é que está errado, e vai tentar subir no outro. Sobe do outro lado do monte, acha depois que o sacrifício é que está errado. Na verdade, era ele que estava errado. Infelizmente ele não via isso. Então, ele prossegue na tentativa de oferecer um sacrifício melhor, e as três vezes que ele quer amaldiçoar, ele abençoa. A primeira vez ele diz assim: “eis que este povo habitará só e entre as nações não será contado entre as nações”. Veja que Balaão diz que Israel era um povo separado. Esse povo não é contado.
Precisamos saber que nós só temos uns aos outros, além do nosso SENHOR. Só temos uns aos outros para contarmos. Nós não podemos contar com ninguém mais. Nós somos um povo separado, exclusivo, um povo exclusivamente de CRISTO. Nós precisamos dar valor à Eclésia, ao corpo de CRISTO, porque nós fomos amputados do mundo. É um povo que habita só.
O SENHOR JESUS disse: “Eu edificarei a minha Igreja”. Imagine isso, que esse povo que habita só, está debaixo desse “Eu edificarei!”. Portanto, vemos que a Igreja não é uma organização denominacional, ela é o Corpo de CRISTO, para expressar CRISTO. Ela é um organismo vivo. Sua identidade é espiritual, sua vida é CRISTO.
O homem não pode fundar a Igreja, e é interessante que alguns dizem que são fundadores da Igreja. O máximo que o homem pode tentar é afundá-la, mais graças a DEUS porque o SENHOR JESUS disse que: “as portas do inferno” não prevaleceriam contra a Igreja do SENHOR JESUS. Espero que DEUS no poder do Seu ESPÍRITO SANTO te edifique com Sua Palavra.
http://www.celebrandodeus.com/Data_Site/002TextoSite.asp?ID=898

3 de agosto de 2007

O Uso da Palavra “Amém”

Por: Dr. R. D. Anderson : Site www.monergismos.com.br
A palavra “amém” vem de uma raiz hebraica que, em suas diversas formas verbais, pode significar: apoiar, ser leal, estar seguro, e pôr fé em algo. A partícula cognata “amém” é comumente traduzida como “verdadeiramente”. [1]
É interessante observar que essa palavra geralmente não é traduzida no (grego) Novo Testamento. As igrejas de língua grega, no primeiro século após Cristo, parecem ter se confrontado com uma palavra hebraica que não podia ser facilmente traduzida. A palavra “amém” certamente não é a única palavra que as novas igrejas usaram em sua forma original. Considere-se somente a palavra “Aba” (=pai); embora o uso desta palavra seja sempre imediatamente seguido por uma tradução (Marcos 14:36; Romanos 8:15; Gálatas 4:6). Com a palavra “amém”, isto não foi considerado necessário.
Todavia, Lucas algumas vezes traduz esta pequena palavra, quando ela é usada pelo Senhor de uma maneira muito especial, a saber, no início de uma sentença para enfatizar Suas palavras (veja nota). Lucas usa, então, algumas vezes a tradução, “em verdade” ou “verdadeiramente” (Lucas 4:25; 9:27; 12:44; 21:3). Mais adiante, em Apocalipse 1:7 e II Coríntios 1:20, e possivelmente Lucas 12:5, “amém” é traduzido como “sim” (=“certamente”). Na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento vigente no tempo do Senhor Jesus), fora os livros apócrifos, a palavra “amém” é deixada sem tradução somente três vezes (1 Crônicas 16:36; Neemias 5:13;8:6).[2] Uma vez ela foi traduzida como “verdadeiramente” e as outras vezes como “assim seja”.[3] A tradução grega muito literal de Aquila (2º século depois de Cristo) sempre traduz “amém” como “verdadeiramente”.[4]
A tradução “assim seja” é apoiada no próprio Antigo Testamento, onde a palavra “amém” é seguida pelas palavras “Assim faça o Senhor” (1 Reis 1:36; Jeremias 28:6).Além dessas indicações sobre o significado do “amém”, devemos olhar também para o uso desta palavra. O contexto no qual a palavra é usada é muito importante na determinação do seu significado.
O Uso no Antigo Testamento
A primeira coisa que nos impressiona no Antigo Testamento é o uso limitado da palavra “amém”. Nós a encontramos apenas trinta vezes, cinco das quais como uma palavra composta; então, há somente vinte e cinco passagens onde a encontramos. O uso da palavra pode ser categorizado sob quatro títulos, dos quais os dois primeiros são, com toda certeza, os mais importantes.
1. Aceitação de uma expressão de maldição (16 vezes). Quando os sacerdotes (ou outros oficiais) expressavam uma fórmula de maldição em nome do Senhor, então, a pessoa [ou pessoas] a quem tal fórmula era dirigida, aceitava as conseqüências dela com a palavra “amém” (Números 5:22; Deuteronômio 27:15- 26; Neemias 5:13; Jeremias 11:5).

2. Ocorrência simultânea com uma expressão de louvor ao Senhor (10 vezes). “Amém” é também usado depois de uma fórmula de baruch (louvor) pela pessoa que expressava a fórmula (Salmo 41:14; 72:19; 89:53), bem como por todos os que a ouviam (Salmos 106:48; 1 Crônicas 16:36; Neemias 8:6). Este tipo de fórmula de louvor tinha uma estrutura padrão e sempre começava com a palavra Baruch: traduzida como “Bendito/Louvado seja...”.
3. Ocorrência simultânea com uma profecia ou um anúncio feito por uma outra pessoa (2 vezes). Em Jeremias 28:6, Jeremias expressa concordância (sarcasticamente) com a (falsa) profecia de Hananias, nas palavras: “Amém! Assim faça o Senhor”. Em 1 Reis 1:36, Benaia concorda com o anúncio de Davi de que Salomão seria ungido como rei. Ele literalmente diz: “Amém! Assim o diga o Senhor, o Deus do rei, meu senhor”. O fato de que ambas estas passagens parecem traduzir a palavra amém pode dar a impressão de que estamos tratando com situações excepcionais.
4. Como uma característica de Deus. Em Isaías 65:16 o texto hebraico fala duas vezes de “o Deus do Amém”. Porque alguns acham difícil traduzir isso, freqüentemente muitos escolhem corrigir o texto para “o Deus da verdade”.[5]
Igualmente importante quando os textos onde encontramos a palavra “amém” são os lugares onde ela não é usada. Dois pontos são dignos de nota. Primeiro, observamos que, embora “amém” seja freqüentemente usado com o significado de aceitação de uma fórmula de maldição, ela nunca é usada para aceitar uma bênção! Segundo, o “amém” nunca é usado para encerrar uma oração.
O Uso no Novo Testamento
No Novo Testamento, a palavra “amém” é usada 129 vezes (estatísticas de acordo com a 4ª edição de Nestle/Aland). Este número pode, contudo, ser enganoso. Noventa vezes ela é usada pelo próprio nosso Senhor Jesus de uma maneira muito incomum. Ele freqüentemente começa uma sentença com esta palavra ou a usa para dar ênfase ao que Ele está dizendo (por exemplo, Mateus 7:28-29). Como nosso presente estudo diz respeito ao uso litúrgico da palavra “amém”, não aprofundaremos mais sobre a maneira de falar de Jesus.[6] Além do precedente, esta palavra é usada trinta vezes. Quando aplicamos as mesmas categorias como usadas para o Antigo Testamento, então, vemos o seguinte:
1. Aceitação de uma expressão de maldição. Não há exemplos de fórmulas de maldição no Novo Testamento. Esta categoria não é, dessa forma, aplicável.
2. Ocorrência simultânea com uma expressão de louvor ao Senhor (23 vezes). Uma afirmação de louvor (algumas vezes, mas nem sempre, da mesma forma como usada no Antigo Testamento) é freqüentemente concluída com um “amém” pela pessoa que a expressa (Romanos 1:25; 9:5; 11:36; 16:27; Gálatas 1:5; Efésios 3:21; Filipenses 4:20; 1 Timóteo 1:17; 6:16; 2 Timóteo 4:18; Hebreus 13:21;1 Pedro 4:11; 5:11; 2 Pedro 3:18; Judas 1:25; Apocalipse 1:6; 7:12), bem como por aqueles presentes que a ouviam (1 Coríntios 14:16; 2 Coríntios 1:20; Apocalipse 5:14; 7:12; 19:4). Em adição aos textos já citados, podemos adicionar Mateus 6:13, onde, de acordo com muitos manuscritos, uma expressão de louvor (seguida por “amém”) conclui a Oração do Senhor.
3. Ocorrência simultânea com uma profecia ou um anúncio feito por uma outra pessoa (2 vezes). Em Apocalipse 1:7 e 22:20, encontramos uma profecia/anúncio concluída com um amém. Na primeira passagem o amém é expresso pela pessoa que está fazendo o anúncio, o próprio João. Na segunda passagem João expressa um amém para a palavra do Senhor Jesus. Em Apocalipse 1:7 a palavra “amém” é usada em adição à sua tradução “sim” [Nota do Tradutor: como na Almeida Revista e Corrigida, edição 1995; algumas versões usam a tradução “certamente”]. Em Apocalipse 22:20, João repete as palavras com as quais ele concorda. Como no Antigo Testamento, também aqui a impressão dada é que esse é um uso extraordinário da palavra “amém”.
4. Como uma característica de Deus. Os textos de Isaías discutidos acima parecem receber um eco em Apocalipse 3:14, onde “o Amém” é usada como um título para Jesus.Em adição a estas categorias podemos adicionais mais duas...
5. Confirmação de uma fórmula de bênção. Uma fórmula de bênção (saudação) é freqüentemente confirmada com um “amém” conclusivo pela pessoa que está dando a bênção (cf. Romanos 15:33; Gálatas 6:18). Muitos manuscritos adicionam também um “amém” aos seguintes textos: Romanos 16:24; 1 Coríntios 16:24; 2 Coríntios 13:14; Filipenses 4:23; Colossenses 4:18; 1 Tessalonicenses 5:28; 2 Tessalonicenses 3:18; 2 Timóteo 4:22; Tito 3:15; Filemon 1:25; Hebreus 13:25; 1 Pedro 5:14; Apocalipse 22:21.
6. Como uma conclusão. Assim como na categoria anterior a palavra “amém” foi usada como uma conclusão, ela é também usada como tal em muitos manuscritos das duas primeiras cartas de João (sem uma palavra precedente de louvor ou bênção). O mesmo acontece com Marcos 16:9 no assim chamado breve final do evangelho. Este uso da palavra amém era freqüentemente empregado na igreja cristã primitiva. Desta forma, o “amém” marca o final da história ou da carta [Nota do Tradutor: em algumas versões não, como por exemplo, na Almeida Revista e Atualizada].
Conclusões
O uso mais freqüente da palavra “amém”: é afirmar louvor ao Senhor. Isto pode ser expresso pelo orador bem como pelos ouvintes. É um fato considerável que a palavra “amém” nunca é usada na Bíblia para afirmar uma bênção direta a si mesmo.[7] Eu sugeriria que isto pode ser considerado arrogante, e, portanto, inapropriado. Se alguém é tão amável a ponto de dizer algo bom sobre mim, seria muito rude responder com “Amém, isto é certo e verdadeiro”!
Isto certamente se aplicaria a uma bênção recebida do Senhor. A prática, que está se tornando mais e mais popular, de permitir a congregação inteira dizer “amém” após a benção no final do serviço de adoração deveria ser rejeitada. Se um amém deve ser expresso após a bênção, então, deveria ser falado pelo ministro/presbítero como um tipo de conclusão, de acordo [8] com os exemplos na categoria 5 acima.
Igualmente considerável é o fato que “amém” nunca é usado para concluir qualquer oração na Bíblia. Na Oração do Senhor o “amém” afirma a expressão de louvor que conclui a oração. Eu não sei quando, no curso dos séculos, tornou-se comum o uso do “amém” como uma conclusão para uma oração.[9] Para nós, isto tem uma vantagem prática, visto que oramos com os olhos fechados. Nos tempos da Bíblia, os homens oravam levantando os seus olhos para os céus, com os braços estendidos. Isto significa que todo mundo poderia olhar quando a oração terminava. Isto não é tão fácil quando tudo está com os seus olhos fechados.Na igreja cristã primitiva, a vasta maioria das orações terminava com uma expressão de louvor concluída com um “amém” acompanhado (seguindo o exemplo da Oração do Senhor), e isto é possivelmente uma boa idéia para nós. Embora não seja requerido, é apropriado concluir nossa oração com uma expressão de louvor. O “amém” conclusivo também receberia, então, um significado mais rico.
Eu também tenho umas poucas observações com respeito à nossa liturgia. Se é inapropriado dizer “após” uma bênção dirigida a nós mesmos, então, o “amém” após o voto, é também inapropriado. O voto (“Nosso socorro está no nome do Senhor...”) é expresso pelo ministro/presbítero em nome da congregação. A congregação expressa sua dependência de Deus, de Sua bondade e de Sua graça, pela quais Ele deseja ser o nosso socorro. Seria possível, contudo, que toda a congregação expressasse o voto! Nem a expressão do “amém” após a saudação, no início do serviço, segue exemplos bíblicos. Quando isto ocorre é como um resultado dos usos observados na categoria 5. Certamente ele não pode ser expresso pela congregação, visto que a saudação traz uma bênção pretendida para a própria congregação.
Nas liturgias em uso por nós, no presente, não tem um lugar separado para uma expressão falada de louvor ao Senhor. Isto não significa que não possamos encontrar expressões de louvor ao Senhor nos nossos serviços de adoração (considere os salmos, orações, etc.), mas estas não formam uma parte separada da liturgia. Não era assim nos serviços na sinagoga, por volta do tempo do Senhor Jesus. Eles começavam com tal expressão de louvor. Este uso de uma fórmula de louvor na forma cristã foi copiado pelos apóstolos, os quais freqüentemente começavam suas cartas desta forma (cf. 2 Coríntios 1:3-5; Efésios 1:3-14; 1 Pedro 1:3-5). A mais bem conhecida fórmula de baruch (louvor) no Novo Testamento, é provavelmente a primeira metade do assim chamado Cântico de Zacarias (Lucas 1:68- 75).[10]
Eu gostaria de sugerir aos representantes de liturgia que uma fórmula de louvor (possivelmente a partir dos textos mencionados acima) poderia seguir a saudação. Desta forma, poderíamos dar forma à uma parte da liturgia, à partir da sinagoga judaica, que era usada pelos apóstolos e freqüentemente ecoada nos salmos (por exemplo, Salmo 72:18-18; 144:1-2; etc.). Se este elemento permanecer ausente na liturgia, é ainda possível terminar o sermão com uma expressão de louvor. Seria muito proveitoso para toda a congregação concluir tal expressão de louvor com o seu “amém”. Os textos listados acima mostram que tanto no Antigo como no Novo Testamento, era comum para a congregação toda expressar, de forma comunal, o seu “amém”.
NOTAS:
[1] - Observe-se que eu não quero sugerir que o uso de outras formas de palavras derivadas da mesma raiz são necessariamente indicadores fidedignos do significado de uma palavra. Sobre este ponto, ver J. Barr, Semantics of Biblical Language[OUP, 1961] 100-106. [2] - Por amor à completude, nos livros apócrifos a palavra “amém” aparece seis veses sem tradução. [3] - Respectivamente, aleethoos (Jeremias 35:6, Mateus 28:6) e genoito.
[4] - Pepistoomenoos.
[5] - A emenda sugerida somente concerne às vogais que (em hebraico) não pertencem ao texto original. Em lugar do “amém”, é sugerida a palavra “omen”. Em Isaías 25:1, a palavra “omen” (“verdade”) é usada, mas é uma “hapax” (isto é, uma palavra que ocorre apenas uma vez). Além disso, deve-se notar que a Septuaginta e Aquila trazem “amém” em vez de omen” em Isaías 25:1.
[6] - É lamentável que esse uso da palavra “amém” esteja disfarçado na maioria das traduções da Bíblia. Mesmo que soe estranho aos nossos ouvidos ler: “Amém, amém, eu vos digo... ”, nós temos de entender que isso deve ter soado igualmente estranho aos ouvidor do leitor grego dos Evangelhos!.
[7] - É algumas vezes sugerido que onde “amém” é usado nas passagens como Romanos 15:33; 16:24 e Gálatas 6:18, Paulo estava pensando nas congregações que falavam este “amém”. Paulo, contudo, nunca indica isto em qualquer uma de suas cartas. Isto é apenas uma teoria. Para fazer esta teoria plausível, deve-se primeiro demonstrar que havia uma prática estabelecida, segundo a qual um “amém” comunal era pronunciado após a concessão da bênção. Isto não é fácil. A única informação que temos do primeiro século depois de Cristo é 1 Coríntios 14:16, onde aprendemos que era a prática (pelo menos em Corinto) dizer um “amém” comunal após uma fórmula de louvor (“Bendito/Louvado seja o Senhor...”). A partir do segundo século depois de Cristo, aprendemos que era prática (pelo menos em Roma, mas veja também Dionys.Alex. in Eus. HE. 7.9.4) dizer um “amém” comunal após a fórmula de louvor, no final da oração de ações de graça, na liturgia da Ceia do Senhor (Just. 1 Apol. 65.3). Não possuímos qualquer outra informação deste século com respeito ao “amém” no serviço de adoração. Pode ser mencionado que, nos serviços de adoração da grande sinagoga de Alexandria, em meados do segundo século após Cristo, era a prática dizer um “amém” comunal após a fórmula de louvor (Tosefta, Sukka 4.6).A partir de uma fonte muito menos antiga, o Talmude Babilônico (oitavo século depois de Cristo), aprendemos que um “amém” era expresso de forma comunal após cada uma das três seções das bênçãos araônicas (Sota 39b - que os judeus, por volta do terceiro século depois de Cristo, não mais sentiram qualquer objeção a um “amém” após uma fórmula de bênção, pode ser deduzido a partir do Mishnah, Sota 7.5).Considerando-se todas as coisas, não há real evidência para um “amém” comunal após a fórmula de bênção, no tempo do Novo Testamento. Uma teoria com respeito a tal “amém” nas cartas de Paulo, não pode, portanto, ser plausível.
[8] - O exemplo mais antigo que conheço é encontrado no livro apócrifo de Tobias 8:8.
[9] - O exemplo mais antigo que conheço é encontrado no livro apócrifo de Tobias 8:8.
[10] - Para a prática judaica, ver o tratado Berakoth, no Mishnah.
________________________________________
Sobre o autor: Dr. R. D. Anderson nasceu em Nova Zelândia, onde recebeu sua educação até a Universidade. Ele então atendeu ao seminário das Igrejas Reformadas do Canadá, em Ontário, Canadá, antes de completar seu doutorado no seminário das Igrejas Reformas Libertadas da Holanda. Ele serve atualmente como Pastor das Igrejas Reformadas (Libertadas) em Valkenburg e Katwijk, na Holanda.
Fonte: Texto extraído e traduzido da revista Ordained Servant, Vol. 7, Nº. 4, páginas 81-84